À felicidade vindoura

À felicidade vindoura

Senhora, vejo-lhe aqui hoje,
E não para fazer desfeita,
Mas não requiro sua presença.

Não entende? Eu lhe explico.
Chamei-lhe então uma vez
Quando buscava um farol.
Encontrava-me perdido,
Naufragado num oceano
De escura areia movediça.

Não entende? Eu lhe explico.
Chamei-lhe então outra vez,
À procura de um guia,
Pois escuro era o túnel
Dentro do qual caminhava.

Não entende? Eu lhe explico.
Chamei-lhe então terceira vez,
Pois enquanto penava a escalada
De uma mão amiga precisava.

Mas faz muito tempo que aprendi,
Aprendi como funciona,
Que a senhora é inconstante,
Que não chove no deserto,
Que os afogados bebem água.

Agora que aqui está,
Que veio muito finalmente,
Peço-lhe tão carecidamente
Que saia e não torne a voltar.

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