Folhas secas, de Anatole France

Chegou o outono. O vento que sopra nos bosques faz girar as folhas secas. Os castanheiros já estão desfolhados e erguem no ar seu negro esqueleto. Caem as folhas das faias e dos carpinos. As bétulas e os choupos tornaram-se árvores de ouro e um único alto carvalho guarda ainda sua verde copa.

A manhã está fresca; um vento amargo agita o céu cinza e avermelha os dedos das pequenas crianças. Pierre, Babet e Jeannot vão juntar as folhas secas, as folhas que antigamente, no tempo em que viviam, estavam cheias de orvalho e de cantos de pássaros e que agora cobrem aos milhares o solo com seus pequenos cadáveres ressecados. Secas, elas cheiram bem. Servirão de cama a Riquette, a cabra, e a Roussette, a vaca. Pierre pegou sua cesta; é um homenzinho. Babet pegou sua bolsa; é uma mulherzinha. Jeannot segue-os com o carrinho de mão.

Eles desceram a colina correndo. Na entrada do bosque, encontraram as outras crianças do vilarejo, que também vêm se aprovisionar de folhas secas para o inverno. Não é um jogo: é um trabalho.

Mas não creia que essas crianças estejam tristes porque trabalham. O trabalho é sério: não é triste. Frequentemente ele é imitado por diversão e as brincadeiras das crianças reproduzem, na maior parte do tempo, a labuta das pessoas grandes.

Eis as crianças no trabalho. Os garotos fazem sua tarefa em silêncio. É que eles já são camponeses e os camponeses falam pouco. Não é o mesmo para as camponesas. Nossas garotinhas soltam a língua enquanto enchem os paneiros e as bolsas.

No entanto o sol que sobe aquece suavemente o campo. Dos tetos da aldeia se elevam fumaças leves como brisas. As crianças sabem o que dizem essas fumaças. Dizem que a sopa de ervilha cozinha na panela. Mais uma braçada de folhas secas e os pequenos obreiros tomarão a rota para a vila. A subida é dura. Curvados sob o saco ou inclinados sobre o carrinho de mão, eles sentem calor e o suor lhes sobe à face. Pierre, Babet e Jeannot param para respirar.

Mas o pensamento da sopa de ervilha reforça sua coragem. Empurrando e suspirando, eles chegam enfim. Sua mãe, que os espera na porta, grita-lhes: “Vamos, crianças, a sopa está pronta.”

Nossos amigos a acharão excelente. Não há melhor sopa do que aquela que fazemos por merecer.

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