Meus Dias de Escritor, de Tobias Wolff

Estou me mudando da cidade onde fiz minha faculdade. Para não viajar com uma gama enorme de livros que nunca terei interesse em reler, levei-os para um sebo. Enquanto o homem que se senta no fundo da loja fazia as contas, eu errei pelo corredor observando os livros. No fim, escolhi quatro para trazer de volta, Meus Dias de Escritor foi um desses. Li-o todo em um só dia, surpreendente para alguém que havia tempos não lia por prazer. Na verdade, não tenho muito o que comentar sobre a obra, mas a impossibilidade técnica de escrever uma resenha no Skoob me impele a escrevê-la aqui.

INFORMAÇÕES

Título: Meus Dias de Escritor
Autor: Tobias Wolff
Original: Old School
Editora: Ediouro
Páginas: 211
Sinopse: O novo romance de Tobias Wolff é uma celebração da literatura e um delicado hino à perda da inocência. Um escritor visita uma das melhores escolas particulares americanas e elege, entre vários textos inscritos, o que considera o melhor. Como prêmio, o aluno tem direito a alguns momentos a sós com o visitante. Quando finalmente o ídolo dos meninos, Ernest Hemingway, aceita o convite, amizades são colocadas à prova, assim como o Código de Honra da escola.

O tema central do livro é a escrita, mas acredito que o título possa criar no leitor expectativas que não serão atendidas. No seu original, Meus Dias de Escritor na verdade é Old School, ou Escola Velha. Na tradução, não fica um bom título, mas talvez seja o que mais reflete a história. Trata-se dos dias de um garoto num internato para meninos no início dos anos 1960.

Nosso narrador em primeira pessoa, cujo nome nunca descobrimos, conta-nos sobre o que acontece na sua escola. A escrita é central no livro porque a própria escola exalta a literatura. O diretor, no jantar com os alunos, recebe o grupo literata à sua mesa, desconsiderando comentários de favoritismo. Todo ano, a escola recebe três grandes escritores para palestrarem e lerem suas obras. Os estudantes, antes da visita, podem mandar suas obras para os autores, que as lerão e julgarão uma vencedora num concurso literário. É uma cultura literária da qual eu muito gostaria de ter feito parte. As histórias a respeito dessa competição são interessantes, assim como os amigos do narrador, os únicos outros participantes, no geral.

Esperava mais do livro exatamente porque fui atraído a ele pelo título. Assim, compreendo a resenha que li e que critica a obra por ela não apresentar mais detalhadamente a transição para autor profissional na vida do narrador – algo que não considero spoiler simplesmente porque o livro não o trata como algo de tanta importância.

Talvez tenha sido incapacidade minha após após tanto tempo sem pegar um livro por prazer, especialmente em português, mas houve tanta coisa que não consegui compreender. Afora as palavras que precisei buscar no dicionário, algumas passagens voavam pela minha cabeça por serem filosóficas ou entediantes demais. O exemplo perfeito disso é o discurso de Ayn Rand, que, se imita mesmo que minimamente o que a autora escreve, vejo já minha vontade de ler A Revolta de Atlas escorrer pelo ralo.

Não o critico por isso, porém. Muito mais severo, acredito, é o pulo para outro personagem logo no final da obra, que subitamente transforma-se em terceira pessoa. O protagonista encontra um antigo professor e eles conversam até que, em certo ponto, a história de outro professor surge, assim começa a outra narração. A história não é ruim, e ainda explica um possível furo anterior, mas não é necessária. É pecado em dobro por terminar nela e nunca retornar ao presente do narrador e professor num bar, assim não senti uma conclusão satisfatória ao terminar esse romance.

Você consegue ver na narração a razão para Tobias Wolff ter sido finalista do PEN/Faulkner Award for Fiction, embora talvez, na construção da narrativa, perceba o porquê de ele não ter levado o prêmio para casa.

0 0 voto
Nota
Inscrever-se
Notificações
guest
Não será publicado
0 Comentários
Feedbacks de trechos
Ver todos os comentários