Poema de alguém que não lê poesia

Poema podado

Quedo-me em couro e vens-me tu,
Minha Amada de doce tez sedosa,
Como penso em permanecer ao teu lado
Enquanto não vem o palor.
E junto a ti continuar no leito,
Enquanto passo os sóis a, juntos, pensar-te
E durante as Luas, separados, a angustiar-te a ausência
Enquanto percorro ruas brumosas
À procura de uma seda tão suave quanto a tua.
Um belo sabor igualável ao teu
Será para sempre
A quimera de minha existência.

Dedico-te, como posso, um poema podado,
O esqueleto com o qual me deito,
Para que me sacie a vontade de ti,
Sem olhar os ângulos que me perfuram a mármore,
Sem gritar senão teu nome.
Desejo abrir tua porta e desvelar-te a face,
Para que à noite possamos passear
Pelos campos banhados em sombra enquanto juntos
Desfrutamos de nossa imortal existência.

Tão angélica era tua face sob a luz errante
De uma fonte esvanecida,
Que a Divindade ter-me-ia perdoado os pecados
Se eu houvesse para sempre
Em ti preservado a graça.
Nunca deixarei de angustiar-me
Por não ter-te presenteado
Com uma vida errante mas infinita.
Assim poderias tu para sempre
Ser a prova da Beleza na Terra em que habita.