Casa de Pensão (Aluísio Azevedo) – Resenha

Em CASA DE PENSÃO, assim como faz no Cortiço, Aluísio Azevedo cria um palco no qual diferentes atores interpretam seus papéis. Há poucas pessoas “boas” nessa trama — o autor já escrevia personagens “cinza” antes de eles virarem moda, e eram muito bem-feitos!

No romance, Amâncio é um maranhense que vai ao Rio de Janeiro aproveitar a vida na Corte e estudar medicina. É um jovem mulherengo que pouco se dedica aos estudos. Assim que chega, quer seduzir a esposa do homem que o ajuda a se estabilizar na cidade, mas não suporta a vida controlada que crê levar na casa do casal. O locatário de uma pensão descobre a riqueza de Amâncio, chama-o para morar no estabelecimento e traça um plano engenhoso para juntar sua irmã ao jovem burguês.

O livro poderia ser muito mais curto se fossem cortadas algumas cenas e subtramas, mas é ainda excelente, certamente uma prova do porquê de seu escritor ter entrado no cânone da literatura brasileira.

A editora Principis publicou/publicará uma edição desse romance e, mesmo sem conhecê-la, recomendo-a. As versões para Kindle que encontrei são mal formatadas, com erros de digitação ou OCR. Por conta disso, o personagem Paulo Mendes sempre foi chamado de “Paula” — certamente me surpreendeu ver escrito “Paula Mendes e a mulher” em um livro de 1884.

P.S.: A versão que li não é a da imagem, mas da coleção “Obras completas”.

Inscrever-se
Notificações
guest
Não será publicado
0 Comentários
Feedbacks de trechos
Ver todos os comentários