Drácula (Bram Stoker) – Resenha

Tentei ler DRÁCULA duas vezes. A primeira foi com um livro em capa dura que tenho aqui na estante*; a segunda, através de um ebook que achei na Amazon. Não passei do primeiro capítulo. Não faz muito tempo, descobri a presença moderada de audiobooks em português e vi que o romance estava gratuito no Ubook, então dei-lhe uma nova chance.

A tradução é excelente, pelo menos quanto à fluidez do texto. Comparei algumas frases com minha edição impressa e compreendi imediatamente por que não havia conseguido lê-la. Infelizmente, a Ubook não credita seus tradutores, o que considero uma falta de respeito. Posso ver os nomes dos narradores principais, mas não só eles importam na (re-)construção da narrativa.

A história começa com o diário de Jonathan Harker. Embora não o tenha achado o mais interessante, é uma parte importante. Achei mais cativante os capítulos logo depois, tratando de Lucy e seu envolvimento com Drácula, quase uma novela por si só. A “segunda parte”, sobre Mina Harker e a luta de um grupo contra o vampiro, é carregada de momentos de tensão e genialidade humana, mostrando ser verdadeira uma análise que há muito ouvi: trata-se de uma história velada sobre a derrota das crenças populares e mitologia face à ciência.

O romance é composto quase integralmente por cartas e diários, com apenas alguns textos jornalísticos ou telegramas, o que nos proporciona uma maior conexão com as personagens, assim como lhes dá uma razão para escrever em primeira pessoa. O único problema é tentar explicar por que alguém está escrevendo. Mina escreve porque acha que isso a ajudará com a memória; Lucy, por sua vez, incia um diário apenas porque essa primeira tem um (uma solução para continuar narrando a história mesmo após a partida de Mina).

Recomendo muito a “leitura” através do audiobook, em especial porque não sei se essa tradução está disponível em formato impresso. As vozes ajudam bastante, embora no início eu tenha pensado que havia um breve eco estranho e artificial. Não digo que ele parou, mas acabei por me acostumar.

*Como foi impossível tirar uma foto do meu celular, usei a edição impressa.

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