Noite do Oráculo (Paul Auster) – Resenha

O escritor Sydney Orr passou meses se recuperando de uma doença que quase lhe custou a vida. Numa de suas caminhadas para readquirir força, ele encontra uma nova papelaria e decide entrar. Lá, ele compra um caderno azul feito em Portugal que é central no romance, pois estimula a criatividade do autor até então inativo, mas parece ter terríveis consequências na realidade.

No caderno, Sydney começa um conto sobre um homem que escapa da morte e decide recomeçar sua vida de supetão, foge da cidade onde está, abandona a mulher e o emprego de editor. Ele leva consigo apenas algum dinheiro e um manuscrito, Noite do Oráculo, sobre um homem com o poder da clarividência que tem um fim trágico.

Além dessas duas histórias, Sydney também escreve um roteiro de cinema cuja história nos é narrada. Essas três tramas, embora estejam dentro de um romance, são tão instigantes e bem pensadas que facilmente poderiam ser transformadas em obras por si só.

As personagens desse romance de Paul Auster, mesmo as figurantes, me pareceram extremamente reais, duas ou mais vezes pesquisei algum nome no Google para ver se não existia. O amigo John Trause, por exemplo, tanto é falado sobre sua carreira literária que me fez crer ser um homem real. O narrador-personagem também nos conta, em notas de rodapé, sobre a história do seu sobrenome, sobre como conheceu a esposa e sobre como acredita que algo contado a ele pelo dono da papelaria era mentira, com detalhes vivos.

As notas de rodapé são essenciais nesse romance, você precisa lê-las! Assim, não sei se recomendaria a leitura do e-book, visto que, nesse formato, não deve ser tão fluido.

Senti fala de algumas vírgulas, mas o estranhamento sumiu com o tempo.

Se você escreveu o bastante, em algum momento deve ter narrado algo que virou realidade — já aconteceu até comigo. Se também faz parte desse clube bizarro, acredito que tirará ainda mais proveito do romance.

Noite do Oráculo foi o primeiro livro de Paul Auster que li. Após esse, tenho grandes expectativas para os outros. A Trilogia de Nova York está na minha lista há tempos. Talvez esteja na hora…

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