Razão e Sensibilidade (Jane Ausen) – Resenha

Razão e Sensibilidade é um livro da Jane Austen publicado em 1811, mas talvez você o conheça por outro nome: Razão e Sentimento. No meu caso, é o primeiro, publicado pela editora Principis. São traduções distintas sobre as quais sou incapaz de opinar, pois não possuo a segunda e tampouco tenho interesse de comparar a que possuo ao original em inglês. Ainda assim, tenho algumas opiniões.

Título: Razão e Sensibilidade
Autora: Jane Ausen
Tradutor: Marcelo Barbão
Editora: Principis
Páginas: 303
Sinopse: Elinor e Marianne são irmãs de personalidades bem diferentes, uma é racional e a outra emotiva. Uma é prudente, a outra, romântica. Após a morte do pai, as duas precisam viver em uma sociedade cheia de convenções, regras e injustiças, enquanto sonham com o verdadeiro amor.

Eu estava numa livraria, havia chegado com a intenção de comprar algo do Rubem Fonseca, mas a amável atendente disse não terem nada. Eu recitava o nome de autores nos quais pensava e, um após o outro, ela dizia que também não os possuíam.

No ano anterior, eu havia lido o famoso Orgulho e Preconceito, da Jane Austen, então conhecia e havia gostado bastante do seu estilo de escrita, mesmo não tendo muita paciência para ler em inglês. Em uma estante dos fundos da livraria, encontrei belas edições de capa dura dos romances dessa inglesa. Retirei um, notei seu preço, coloquei-o de volta. Para minha sorte, uma edição da Principis estava logo abaixo, era a última. É uma editora que comecei a apreciar por conta das suas capas bonitas e edições baratas. A boa literatura deve sempre ser acessível!

Diferente de Alice e Oz, que eu comprara em outro momento, Austen não dispunha de um tão incrível design, mas o importante era, afinal, seu conteúdo. Eu procurava um livro que me faria querer ler. Após alguns meses sem ler uma palavra sequer e escrevendo pouco, buscava o próximo romance que me faria ler “apenas o próximo capítulo”. E foi como aconteceu no início de R&S, devido ao tamanho dos capítulos iniciais; para o meio e o final, a média de dez páginas não atiçava a mesma vontade, mas continuei lendo vários seguidos.

Trama

Uma vez encontrado um livro que parecia interessante, fiz tal qual uma mãe faz com seu bebê de fralda pesada: virei-o de costas para saber se era merda ou não. Quão interessante é a pseudo-sinopse da contracapa! Admira-me muito que um editor tenha pensado que ela seria instigante para o leitor que não conhece Jane Austen. O conteúdo do resumo é simples, apenas uma descrição das irmãs protagonistas, mas confiei na autora e comprei seu romance – também acreditava estar incomodando a gentil moça da livraria, visto que eu estava olhando livros sem saber se compraria algum já havia uma boa meia hora, ela merecia pelo menos uma comissão.

Que não fique aqui dito que Razão e Sensibilidade não possui uma trama! Há, sim, e o suficiente para ser transformada em uma sinopse de verdade, mas o romance ainda possui outras particularidades. Boa parte da narrativa se passa em conversas com amigos, que fazem visitas, viagens ou passeios. Todavia, há reviravoltas, mudanças no comportamento de personagens, movimentos do enredo… Ainda assim, em um romance de 120 mil palavras, você esperaria um pouco mais, embora isso seja ver o livro com olhos do século XXI, quando temos internet, cinema, Netflix e toda uma pletora de formas de entretenimento indisponíveis na época da escrita. Um livro era mais longo, pois, afinal, era o que havia para se fazer; se acabasse logo, o tédio viria em seu lugar.

Embora o leitor possa acreditar que a trama flui muito lentamente, o estilo de Jane Austen é aquilo pelo qual ela é realmente conhecida: seu humor irônico torna-a um Machado de Assis inglês e de saias, ainda que menos modernista. Alguns comentários da narradora sobre crianças foram extremamente humorísticos, a exemplo: em alguns lindos parágrafos, há uma discussão durante uma festa para saber se o filho de uma ou outra pessoa era mais alto quando apenas uma das crianças estava presente. Querendo elogiar mais uma pessoa, alguém dizia que o primeiro era mais alto. Tentando manter um equilíbrio, outra pessoa dizia que ambos eram igualmente altos. Uma terceira, irritando as duas mães no processo, dizia que aquilo não tinha a mínima importância. Mas não faço jus ao estilo de Jane Austen e é um trecho bastante longo para transcrevê-lo aqui.

Devo confessar que, da metade do romance para o final, eu já estava querendo que ele acabasse. Não porque era uma leitura chata, apenas porque eu queria ler mais livros, outros livros, e a continuação da narrativa me impedia de fazê-lo. Se você ler esse romance, tenha em mente que levará alguns dias para completá-lo e não tente se apressar, pois isso pode prejudicar seu divertimento.

Revisão

Essa tradução de Jane Austen teve três revisões, pelo que vejo na ficha técnica, e ainda assim descobri uma quantidade considerável de erros de digitação, português ou formatação. Reconheci espaços duplos em algumas frases, um “taõ”, outro “o senhora”, dois “e” repetidos e e outros que, como estava no início da leitura, ignorei, sem saber que seria um problema recorrente. Que o leitor não seja desencorajado de ler esse excelente romance, mas que a editora não seja desculpabilizada apenas por se tratar se uma edição barata.

Meu e-mail estará sempre aberto para quem quiser me contratar como revisor.

Conclusão

Não sou capaz de dizer se a tradução de Marcelo Barbão foi fiel ao original inglês, mas sou, sim, capaz de dizer que reconheci nela o mesmo estilo de escrita de quando li Orgulho e Preconceito, porém dessa vez na minha língua materna.

O leitor de hoje em dia talvez fique confuso quando os personagens falarem de dinheiro, mas sugiro ignorar tentar entender qual é o valor exato ou compreender algo mais sobre isso. Jane Austen escrevia sobre pessoas ricas que não precisavam trabalhar. No mais, quando você ler que alguém recebe “apenas duas mil libras por ano”, espero que o advérbio de intensidade ajude o leitor a compreender que se trata simplesmente de alguém menos rico que os outros.

Não há razão para acreditar que, por estarmos falando de um livro clássico, a leitura será complicada. Impossível ser mais acessível! Encorajo-os todos a lerem o livro, mas principalmente os homens: dentre as vinte mil pessoas que leram esse romance no Skoob, apenas 7% são meus companheiros de gênero, o que acredito ser uma grande pena. A boa literatura deve ser lida por qualquer pessoa, e, de preferência, por todos!

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Yasmim Raiane
Yasmim Raiane
13/09/2020 19:24

ótima resenha! Um dos meus livros preferidos da Jane <3