Sobre

É difícil falar de si mesmo, provavelmente porque quando de fato lemos algo de alguém que se descreve, como uma autobiografia, ela é sempre excelente. No fim, só me resta dar o meu melhor e aceitar a inevitável mediocridade que será esse texto.

Meu nome é Lucas Zanella. Comecei a escrever em 2012, pelo menos é quando criei esse blog, na época no Blogger e em um endereço chamado cronicis.com. Recentemente, optei por anexá-lo a um site de escritor que, embora bonito, está vazio. Falo do lucaszanella.xyz.

Todavia, meus primeiros escritos não começaram em 2012. Tenho a vaga certeza de que escrevi uma história policial no computador de uma madrinha, quando nem mesmo possuíamos um na minha casa. Isso teria acontecido antes dos 13 anos, mas é apenas uma impressão, como o resquício de um sonho do qual acordei abruptamente e cuja lembrança me vem anos mais tarde.

Minhas primeiras histórias de verdade foram também policiais, sobre um detetive chamado John White. Na época, eu ainda não detestava os escritores brasileiros que metiam nomes americanos nos seus textos. Assim, meus dois inícios literários foram através de histórias policiais. Não escrevo mais nesse gênero – descobri que não sou bom -, mas de fato um grande excesso de séries policiais me forçaram a me arriscar.

Minha segunda grande empreitada literária, enquanto escrevia crônicas para serem publicadas aqui, era uma trilogia romances de ficção científica. Todo escritor tem seus clichês, essa é a prova viva. Hoje, odeio livros não fechados em si. Certamente não mais tentaria iniciar uma carreira com uma trilogia. De todo modo, cheguei a escrever dois desses romances, sendo que o primeiro capítulo daquele que abriria a coleção está publicado aqui no blog. Queimarei todos eles antes que alguém possa liberá-los na internet – antes que eu mesmo faça isso apenas porque pensarei ser uma boa ideia. Era uma trama interessante, admito, e com uma quantidade de foreshadowing que deixaria J.K. Rowling orgulhosa, mas não tinha e ainda não tenho a habilidade literária para pô-la no papel.

Saído do policial e da ficção científica, entrei no terror. Stephen King foi uma grande influência. Ainda me considero um escritor de terror, embora tenha adicionado a esse gênero outros, como a fantasia, o fantástico e até mesmo o literário. Gostaria de poder sair da ficção de gênero, mas, por mais que leia com vontade grandes romances da ficção literária, não consigo me interessar o suficiente em escrever um. É como se faltasse algo. Não faz muito tempo, escrevi um dos meus primeiros contos sem terror, sem fantasia, sem fantástico. Estou orgulhoso dele, mostra-me que consigo escrever caso a famigerada inspiração se aposse de meu corpo, mas ainda é um formato curto. É uma longa estrada até que chegue ao romance.

Escrevi uma novela de ficção fantástica que publiquei online independentemente, chama-se “Os muitos rostos de Brockveld“. É outra história da qual me orgulho, acho que poderia agradar o leitor que chegasse a lê-la. Como quis desde o começo, publiquei-a gratuitamente, assim qualquer um poderia ler. Não deu certo. Sempre há downloads, mas não tenho como saber se as pessoas a leem, o que é um grande desmotivador. Estou constantemente aguardando uma resenha, boa ou ruim, não importa, para que eu possa saber o que o outro pensa daquilo que escrevi.

Além dessa novela, escrevi dois romances, um de fantasia, outro de suspense ou terror. Venho editando o primeiro há anos. Cheguei a ser aceito por uma editora pequena, mas creio não ser exagero chamá-los de golpistas. Paguei-lhes alguma soma, não me lembro quanto, e recebi alguns poucos e-mails de resposta. Eles ainda estão na ativa, publicando alguns livros aqui, outros livros ali. Não é mentira dizer que um dos meus sonhos é ser reconhecido pela escrita. A esse sonho junta-se a vontade de ter uma boa condição financeira, contratar um advogado e processar a editora por quebra de contrato. Não sinta pena deles. O Brasil está cheio de semi-editoras-semi-gráficas e outras como essa, e são ainda mais perigosas, todas babando sobre e no aguardo do próximo trouxa que sonha em escrever.

Quanto ao segundo romance, editei seu início e não o toquei mais. Era também ambicioso, como aquela ficção científica do meu início literário, e não sei se voltarei a olhar para ele, mas guardo boas lembranças dos personagens. Algum dia, talvez, se eu possuir um editor que me fale aquilo que é bom e aquilo que é ruim, então sim, eu espero, essa história verá a luz do dia. O mesmo vale para o primeiro, de fantasia, pois sua história não é de todo ruim, acho-a até mesmo boa, mas todo escritor duvida da sua escrita.

Após esses dois semi-desastres literários, venho escrevendo contos e publicando-os aqui. Não escrevo muito. A falta de leitores é algo que me entristece e, teorizo, tira-me a vontade de pôr no papel quaisquer ideias que porventura tenha, embora não seja mentira dizer que estou sofrendo de falta de ideias. Não entenda aqui algo como “falta de inspiração”. Ela existe, mas um escritor não deve depender dela. Entretanto, se eu não tenho nem o resquício de um conto na cabeça, não tenho como forçar algo a aparecer.

Um ano após a escrita dos parágrafos anteriores, a situação mudou. Tenho pelo menos três ideias na cabeça, dois romances e um conto, mas simplesmente não encontro motivação para pô-los na página branca. Formei-me em Letras, a graduação na qual entrei apenas para conhecer melhor o português que usaria como escritor, e agora deveria estar no momento propício para escrever e ler até meus olhos saltarem e meus dedos criarem calos. Por alguma razão, porém, não é o que sinto nesse momento. Teria a faculdade me desgastado ao ponto da inutilidade literária? Seria minha recente descoberta de mangás e manhwas a razão para minha abstinência de romances em prosa? É culpada, talvez, minha cidade natal e a impotência que sinto quando cá estou?

Ainda não tenho resposta para essas perguntas, mas recentemente escrevi um conto para uma antologia. Não costumo escrever sob demanda e em temas que não foram de minha escolha, mas acredito que seja um bom conto, capaz de agradar. Se eu não for selecionado para a antologia, pode ter certeza de que o publicarei aqui. Conto com sua leitura. Afinal, se chegou até aqui, deve haver uma boa razão. Nesse caso, obrigado.

0 0 voto
Nota